11 de dez de 2013

"hoje eu me pergunto

qual o prazo de validade das lembranças. Em que momento elas deixam de ser palpáveis, boas, verdadeiras?"

do livro "música para cortar os pulsos", de rafael gomes.


5 de dez de 2013

benditas sejam as férias!

é que quando eu não estudo e não trabalho eu tenho tempo e olhar pra essas maravilhas








li e gostei:

as 4 leis da espiritualidade ensinadas na Índia:

1) a pessoa que vem é a pessoa certa;

2) aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido;
3) toda vez que você iniciar é o momento certo;
4) quando algo termina, termina.





só pra constar.

assim que eu estiver bem vou agradecer aos céus por cada vez que eu conseguir fazer xixi numa boa!

Infecção urinária: ótima oportunidade de lembrar e agradecer por todos os dias em que meus órgãos estão saudáveis.  :P

2 de dez de 2013

resume hoje, essa segunda-feira, dia útil para o resto do mundo.

SAMBA E AMOR

(Chico Buarque)

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.


22 de nov de 2013

eu reparei

que eu ando reclamando bem menos;
que eu ando me alimentando muito melhor;
que eu hoje opto por não sofrer, embora a dor seja inevitável;
que eu estou muito mais resolvida;
que eu tenho mais fé;
que eu desenvolvo cada dia mais o meu sentimento de gratidão;
que eu estou cada vez mais humilde e amorosa;
que eu acredito cada vez mais em mim mesma;
que eu tenho mais desenvoltura com situações que antes me inibiam;
que minha mente está muito mais positiva;
que eu estou mais leve;
que eu estou mais paciente;
que eu estou conectada com a minha essência.

E por tudo isso, reconheço-me, pois é fruto de uma busca incansável por aprimoramento e evolução :)


20 de nov de 2013

ontem

eu experimentei o que realmente é o perdão e a compaixão.
e eu senti um tipo de amor nobre, que não se submete ao orgulho e sim acolhe, com humildade, e compreende o outro.

e isso é minha essência: é paz.


18 de nov de 2013

ah, saudade sabe de quê?

daquela sensação de estar aninhada num peito amado.

foto roubada do pinterest.

eu não entendo a lógica:

1) pessoas irresponsáveis, que não se comprometem, que não honram a palavra = cheias de amigos;
2) pessoas "corretas" (conceito relativo, eu sei), comprometidas, responsáveis = solitárias.

juro que tento entender e não chego a uma conclusão.

o mais próximo que cheguei de algo foi: o mundo está tão mais cheio de pessoas da primeira categoria que, por serem semelhantes, se atraem e se dão bem, enquanto os da segunda categoria dependem de muita sorte para encontrar seres parecidos e, assim, sentirem-se satisfeitos e acolhidos numa relação.

e, sim, estou na segunda categoria e sinto-me só e cada vez mais decepcionada com as pessoas.




saudade que eu nem sabia

desses pequenos momentos comigo.

(ao som da viciante e melancólica "elevator beat", do filme vanilla sky)


17 de nov de 2013

haja disciplina e força de vontade

para não sucumbir à dor e à saudade;
para não se afundar em músicas depressivas;
para se adaptar a essa nova realidade;
para aguentar os finais de tarde.

16 de nov de 2013

eu quero alguém a quem eu possa dizer coisas lindas assim:

(...)
a morte é menos que teu beijo
tão bom ser tua* que sou
eu a teus pés derramada*
(...)
serei teu pão tua coisa tua rocha
sim, eu estarei aqui



(Leminski)

*adaptação de gênero




15 de nov de 2013

sei lá, sei lá...


tá.

Eu não sou Buda e a dor de vez em quando mostra as caras. Normal.

Só que eu não quero que seja normal. Eu quero que isso vá pro raio que o parta e que o Cosmos me traga logo alguém pra andar de mãos dadas e sorrir abestalhada.


10 de nov de 2013

tô me saindo bem.

"Esperança é saber que depois da tormenta vem a calma, é saber que atrás das nuvens o sol sempre brilha intensamente..." (Suryavan Solar)



8 de nov de 2013

sobre sofrimento, apego, impermanência e amor.

A dor é passageira e a felicidade se vai conquistando gradualmente por porções, até que um dia já não sairá desse estado.

*

Há pessoas que acreditam ser infelizes mas não o são. Só estão apegadas a uma dor do passado e revivem esse momento sem resolvê-lo. E isso só acontece na mente, não no momento presente.

*

Deve aceitar que o vento muda, que o clima muda, que tudo muda. Há prazer e há dor. Há primaveras e outonos. Não deve aferrar-se a nada.

*

Ao aceitar as mudanças você flui e é feliz. Ao não aceitá-las, sofre.

*

O sofrimento vem do apego.

*

O amor o leva a lugares inimagináveis, transforma-o e o faz brilhar. Quando está no amor e vive através dele, está em seu centro e em equilíbrio e pode, então, alcançar a totalidade.

*

No amor, simplesmente flui e ama sem o "eu" que obstrui o caminhar. Dilui-se todo pensamento negativo. É você mesmo e reconhece sua essência, de maneira consciente ou inconsciente, mas o certo é que seu coração vai transbordar alegria, harmonia, equilíbrio e tranquilidade.

*

O ódio é uma energia básica e primitiva que não passou por um processo de autoliderança. O amor é uma energia já educada.

*

Compreender ao outro não significa aceitar ou estar de acordo com seu comportamento. O comportamento do outro, baseado em seus princípios ou valores, pode estar errado, mas deve aceitar o que realmente ocorreu e ter em que se apoiar para perdoar.

*

Nada importante se consegue com esforços pela metade. O valioso se conquista com esforços notáveis.

*

Todo potencial está dentro, mas se você não faz nada seguirá adormecido.

*

Fonte: livro auto-liderança, de Suryavan Solar


mistério desvendado.

tanto tempo buscando a resposta
tanto tempo tentando entender
e de repente a explicação brota na minha frente!

nós vibramos aquilo que somos e há algo em nós mais inteligente e iluminado do que a nossa compreensão consciente: graças a isso, repelimos o que não nos faz bem.


6 de nov de 2013

8 de set de 2013

Onde é que eu encontro o silêncio, heim?

Cansada de ser refém do barulho para abafar outro pior.


4 de set de 2013

Daí,

de repente, não mais que de repente, e que feliz de repente!
as coisas foram se ajeitando
tudo foi se acalmando
fui me aninhando em seu peito
de uma forma que agora parece mais forte e sólida e, sei lá, quem sabe, espero, permanente


29 de ago de 2013

Um suspiro...

Pelo menos aqui dá pra reclamar à vontade.
E sem aquele pensamento, que eu agora eu não lembro de quem é, mas que diz que o triste é que no fundo, no fundo, ninguém tem nada  e nem se importa com os problemas da gente (algo assim).

Fico decepcionada com como as pessoas julgam e apedrejam umas às outras sem o menor cuidado;
com a desonestidade, com a falta de gentileza, compromisso e amor que rola solta...
O que acontece com as pessoas, heim? O mundo seria melhor se as pessoas fossem mais amorosas.
Eu sinto falta disso.

A gente não deveria atrair o que emana?
Cadê, de volta, a gentileza que eu distribuo?
Será que está trocando de caminho com a impaciência que eu dou a quem não me trata como eu gostaria?

Bom, já é um passo.

Só posso modificar aquilo que percebo.
Pra ver se acalma o caos.


25 de ago de 2013

Ainda é menos do que eu gostaria

mas bem mais do que eu tenho conseguido até hoje:
estou feliz e orgulhosa pelas minhas três horas e meia de estudo no domingo :)


15 de ago de 2013

É, eu sou egoísta.

Odeio que me tomem o pouco tempo livre que tenho, sendo isso em prol de outrem.
Tô mais a fim de satisfazer meu próprio umbigo. Isso é feio? Isso me torna menos boa do que os demais?
Eu não gosto de coisas impostas. Se quero fazer o bem, quero que seja por livre e espontânea vontade e QUANDO eu quero. Se é de má vontade, afinal, não é tão "bem" assim, né?

Ok. Eu devo trabalhar melhor o altruísmo, a compaixão, a solidariedade e, sobretudo, ela: A PACIÊNCIA.
Deve ser isso que o Cosmos quer de mim, só pode!

6 de ago de 2013

AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!

















seria bom uma praia deserta, eu sozinha, um desabafo num grito estridente, correr, cair exausta, dormir, acordar num mundo cor-de-rosa.

exaustão.

20 de jul de 2013

uma das melhores coisas da vida é

abraçar com direito a pulinhos e gritinhos mútuos :)


mulheres | bukowski

- Acho que você tá precisando de amor - disse ela.
- Sonhei com você. Fui abrir o seu peito, como se abre um guarda-roupa; seu peito tinha portas; quando abri as portas, vi um monte de coisas fofas dentro de você: ursinhos, animaizinhos felpudos, essas coisas fofas, carinhosas. (...) Eu vou pelos meus sonhos. Você tá é precisando de amor.


taí

chuva
sexta-feira
esse barulhinho bom
eu aqui, acompanhada das minha fotos
de pijama, meia de lã, roupão quentinho
o quarto cheirando ao meu incenso preferido (de canela)
sem aquela pressão de ter que acordar cedo amanhã, no frio

é disso que eu gosto


30 de jun de 2013

PORQUE ERA ELA, PORQUE ERA EU
Eu não sabia explicar nós dois
Ela, mais eu
Por que, eu e ela

Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão

Íamos tontos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão

Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu

Porque era ela
Porque era eu


-

Tão bom descobrir um álbum novo! > eu acabei de descobrir o tal MPBaby, com músicas instrumentais do Chico Buarque, por Benjamin Taubkin > é uma delícia! *-*

-

E já que tô falando em baby, e já que eu já tô com saudade dela, que passou por aqui nesse fim de semana... :)

30 de mar de 2013

eu não quero isso pra mim • eu não aguento mais • eu não sei o que fazer


29 de mar de 2013

Eu queria desabafar como os poetas, mas eu não tenho esse dom
e nem paciência pra desenvolvê-lo.

Aliás, eu não tenho paciência para nada.

Grito de criança,
barulho de avenida,
gemidos de dor,
vasos se quebrando ao chão,
gente burra,
gente que não facilita a minha e a sua vida,
saltos no andar de cima,
televisão, infernal,
som de carro,
músicas mal-vindas,
falta de compreensão,
gente que acha que eu sou fresca, mas que não faz ideia do que se passa,
conversas sobre doença,
acordar cedo todo dia,
acordar cedo pra levantar avó que caiu, nos únicos dias em que não acordaria cedo,
sininho chamando,
coloca a linha na agulha pra mim,
amarra isso, amarra aquilo,
a empregada está nos roubando,
blá-blá-blá.

"Eu quero é ir-me embora, eu quero é dar o fora..."


25 de mar de 2013

Deitou e rolou
no novelo da sua confusão.
O problema foi que alguém ficou
entre os fios
com o coração na mão



24 de fev de 2013

"Só eu vejo o mundo com meus olhos."
(Zeca Baleiro)
-
E eles ontem viram mundos diferentes.

20 de fev de 2013

SURPRESA

E logo eu, que não sou (não era?) dada a interações com crianças (elas me inibem)
vejo-me, de repente, encantada.
Que surpresa-reação boa :)


13 de fev de 2013

MORANGOS MOFADOS AOS MEUS PÉS

Eu só consigo pensar:
"Ironia, ironia, ironia!".
Mentira, eu consigo pensar em muito mais coisas.
Minha cabeça é um vulcão, um turbilhão, sei lá, qualquer coisa por onde passem muitos pensamentos.
Morangos mofados aos meus pés, hoje, exatamente hoje.
Ironia! Ironia! Ironia!
Tudo de uma vez só...

7 de fev de 2013

CHOVENDO

Eu queria mais dias de chuva bem-vinda
e menos desses, em que ela só me irrita e me faz lembrar de todo aquele blábláblá
sobre frustração e sobre anseios e sonhos e desejos e, principalmente, sobre utopias.


5 de fev de 2013

SOZINHA

pra onde foi tudo isso que eu vejo nas fotos?
eu era o seu docinho
olha só, dois bebês, tão novinhos!
olha só nossos olhinhos: somente pertenciam a nós.
os meus eram todos seus e vice-versa.
olha como sorríamos felizes!
e mais sorrisos, tão sinceros...
você é tão bonito, leãozinho.
muita coisa.
TRECHOS DO LIVRO 
AGORA É QUE SÃO ELAS
PAULO LEMINSKI


(...) o fatal é que cheguei e disse aquilo, aquele palavrão que significava a irremediável intromissão da minha vida na vida daquela figura.
Mulher tem que ser abordada com vinte e cinco canhões de bolhas de sabão (...)
Inteligência em homem é que nem pau duro, mulher alguma resiste.
E tudo empalideceu, como, como é que foi mesmo que eu não dei pela ausência de Norma, aquela coisa gostosa entre as mulheres, sorvete reinando sobre meu reino de prazer com um morango por coroa?
(...) meu Deus, como a memória é solúvel em álcool!
Engoli, mandando meu coração voltar para as profundezas donde tinha emergido, que lugar de coração é lá embaixo.
A gente se foi a primeira vez numa porção de coisas. Sei lá que importância isso tem, mas as pessoas tendem a atribuir virtudes mágicas às primeiras vezes. Seja lá do que for. E assim primeiras vezes fomos, Norma e eu, muitas primeiras vezes.
Desde que comecei minha história com Norma, nunca mais um dia de sossego.
- Com por que é mais caro, e só depois das cinco.
Era a origem de todos os males da pele, do intestino e da cabeça. O mundo ia muito bem até nascer o porquê. E foi me dizendo logo de cara, se eu queria atingir alguma coisa tinha que me livrar desse vício.
No começo, é difícil. Sem por quê, viver, arrastar esses dias, um atrás do outro, é subir uma escada sem corrimão, entrar pelado no mar, andar no mato de olhos fechados, dormir ao relento e sem cobertas. Mas, enfim, a gente acaba se acostumando a qualquer coisa. Me acostumei a viver sem perguntar por quê. E a só frequentar as questões periféricas, como?, quando?, onde?
Um dia, sonhei com ele. No sonho, era o dono de um bar, onde eu chegava e perguntava:
- Tem cerveja?
E ele respondia.
-Não.
- Tem certeza?
- Também não.
Um saco esses papos que a gente ouve nessas festas, meros pretextos para praticar em voz alta o nome dos povos, as feéricas notícias de jornal, esse saber que pensa saber tudo apenas porque sabe o que todo mundo sabe.
Durante um tempo, cheguei a pensar que o tal Bernardo não existia, não passava de uma figura imaginária, um ente de razão operacional, inventado por Norma para manter, pela competição, o meu interesse aceso nela.
Não me interpretem mal, nunca soube o que quer dizer ciúme. Afinal, não se pode chamar assim esses ímpetos que me vêm, de vez em quando, de botar Bernardo para derreter em azeite fervendo.

Oi, tesão, e esse pau, continua durão?

De noite, me perguntou onde eu queria dormir. Com você, é claro, eu respondi. É por isso que eu adoro você, ela falou. Mas faz tua cama aí nesse canto, eu durmo aqui no sofá mesmo, legal pra você?
- Norma, que é que está acontecendo? Que história é essa? Vamos conversar um pouco. Onde é que foi parar tudo aquilo que havia?
- Tudo aquilo, o quê?
- Ora, você sabe, não se faça de boba.
- Você deve estar louco. Nunca houve nada entre nós.
- Essa não, Norma. Invente outra.
- Se houve, prove.
Eu não podia provar nada. A única evidência que eu tinha de que TINHA HAVIDO ALGUMA COISA ENTRE NÓS, esse nó no peito, essa sensação de que tinham colocado uma rolha no gargalo do meu coração, e essa vontade de apertar seu pescoço devagarzinho até fazer o cérebro sair pelas orelhas que nem bosta num moedor de carne. Ou bater nela com um maço de notas de mil, até ouvir ela gritar Bernardo. Uma navalha, por favor.

Belo começo pra um candidato à sabedoria, nem sabia como conseguir o que os galos, os antílopes e até os polvos conseguem sem maiores histórias.
Insuportável, aliás, que a razão de ser da minha vida fosse outra pessoa, pessoa, por sinal, que eu estava longe de saber dominar, quem dera!, se, pelo menos, a influenciasse.

- Você não deixar as diferenças existir!
- Existir, não, professor. Existirem.
- Está bem. Não deixar as diferenças existirem!
- Não, professor, ainda não. Não deixa as diferenças existirem.
- VOCÊ NÃO DEIXA AS DIFERENÇAS EXISTIREM!

Parecia que nada ia adiante. TUDO TINHA MUDADO, está certo. Mas tudo só mudava do parado para o parado. Minha relação com Norma passava meses sem que acontecesse nada. Não era o pior dos nadas, podia haver piores. A gente se via, até fizemos algumas coisas, mas nada podia disfarçar aquele cheiro de queimado, a gente cultivando aquela falta entre nós, duas pessoas cuidando juntas da mesma planta carnívora.

Pensei que ia morrer de tanto amor, Norma estava divina.

E tudo aquilo que lhe contei sobre a minha primeira relação com uma mulher, aquela que estava menstruada, lembra?, e eu tirei o pau e pensei que a tinha matado?

Nessas altura, o professor, comovido, já estava deitado no meu colo, soluçando, e eu fiquei alisando seus poucos cabelos brancos, e dizendo:
- Calma, calma, meu velho. Tudo vai se arranjar, você vai ver. A vida não é tão péssima assim, veja tudo com olhos de criança, pense positivo, o pior já passou, o Natal está aí, e o amor até existe.
Quanto mais eu falava, mais o velho soluçava no meu colo, soluçava tão convulsivamente que, temendo alguma fratura grave, levantei um joelho, no joelho levantando a cabeça de Propp, como quem retira uma azeitona de dentro da sopa. E espinafrei:
- Qual é, cara? Vai ficar nessa a noite toda? Pensando o quê? Que meu colo é banco de praça?

- Tem uma coisa que eu não te contei ainda.
Tiro de carabina na minha orelha esquerda, facada nos rins, soco de enfarte, agulha de derrame cerebral, bem-vindos! Por que é que Norma tinha que vir, de vez em quando, com aquele, com aquela, com aquilo, tem uma coisa que eu não te contei ainda? Vai ver era por isso que eu vivia com aquela sensação pavorosa de que alguma coisa horrível ia acontecer a qualquer momento.

As coisas que eu sinto hoje estão além das palavras.

E começou a chorar, coisa que eu detesto. A gente não sabe o que fazer. Dar um soco na nuca? Chamar os bombeiros? Gritar "o senhor é meu pastor, vamos pastar?".

- A cada dia que passa as coisas vão ficando cada vez mais complicadas, à medida que o tempo vai passando, passando, passando, vão se complicando ainda mais, mais e mais. É por isso que as pessoas morrem, morrem, morrem. Morrem porque não aguentam mais tamanha complicação, complicação, complicação.

a alma só cresce
quando se machuca

- São assim, Propp falou, tentando me consolar da expressão de absoluta calamidade pública que tinha desabado em cima da minha cara.
- O que é que são assim?, ainda achei forças de perguntar.
- As coisas.
- Ah! As coisas! Claro, as coisas são terríveis, gani, enquanto olhava em volta, procurando alguém que eu pudesse cortar a golpes de gilete.

Eu não quero a vida eterna, professor. EU QUERO O INFERNO.


3 de fev de 2013

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